Diferenças entre a música clássica e a música contemporânea

Primeiramente, esclareço que não sou formado em música. Portanto a minha opinião se baseia apenas na reflexão sobre esse assunto.

A música clássica apresenta-se como uma música reflexiva, onde há a tendência do indivíduo que a ouve se deixar levar por ela. É como se a música entrasse em você e tomasse conta do seu ser. A música clássica produz essa sensação de profundidade na alma. É um tipo de música feita para aqueles que estão abertos à reflexão e à reações profundas no espírito.

A música contemporânea, por outro lado, possui a característica de ser uma música reativa. A música contemporânea (com algumas exceções) é feita para você pular, cantar e chorar. Ela não é, portanto, feita para você refletir ou sentir em profundidade. Quando você ouve uma música atual a intenção do artista é que você sinta algo nos primeiros segundos em que você ouvir a música. Não é lhe dado o tempo para a reflexão, apenas para a reação. A música contemporânea traz consigo um efeito instantâneo, porém fugaz.

Em um primeiro momento a música contemporânea parece ser mais interativa do que a música clássica, esse é uma verdade, porém, apenas aparente, pois se dado o tempo e a abertura necessária à música clássica, o ouvinte perceberá como ela também é interativa, porém ao seu próprio modo, sendo ele reflexivo e profundo.

Por fim, não acredito que a música clássica seja melhor do que a música contemporânea, ou vice-versa. Elas são incomparáveis, pois as reações por elas produzidas são diferentes em termos de reflexão e profundidade. Tudo é, como sempre, uma questão de gosto pessoal. As pessoas ascéticas se identificarão, talvez,  mais com a música clássica, enquanto que as pessoas com espírito mais jovem se identificarão, provavelmente, com a música contemporânea.

 

Investir em Educação é um gasto ou um investimento?

Esse pequeno post tratará desse assunto na esfera individual. Não irei aqui falar sobre a Educação em um determinado país. Falarei sobre essa questão da Educação tendo como base a minha vida. É uma questão de caso isolado. E eu, por ser autodidata, torno a questão ainda mais isolada. No entanto isso não impede que a minha opinião reverbere positivamente no seu cérebro. Pois no fim das contas somos todos humanos e um pouco similitude entre nós é normal.

Vamos primeiramente definir as palavras “gastar” e “investir”. Segundo o dicionário Houaiss gastar é: “fazer gasto de; despender (dinheiro); desembolsar”. Essa palavra vem do latim “vasto” que significa: “tornar deserto; arruinar, devastar”. Já a palavra “investimento” significa: “aplicação de recursos, tempo, esforço etc. a fim de se obter algo”que vem do Latim “investìo” que significa :”revestir; ornar”.

Feita essa definição já temos um terreno fértil sobre o qual poderemos nos debruçar. Desse modo podemos iniciar uma tentativa de responder a questão a qual me propus.

Pelas definições acima concluo que “gastar” está relacionado à uma despesa necessária ou fútil e que não traz nenhum retorno aparente. Mas é importante ressaltar algo para que se evitem confusões: As despesas necessárias são aquelas necessárias à manutenção da vida e do bem-estar. Ou seja, essas despesas trazem sim um retorno, porém é um retorno que por ser tão necessário acaba sendo considerado uma necessidade e não um retorno. Já como relação a palavra “investimento” a conclusão não pode ser que senão a óbvia: investir significa investir recursos em algo com o objetivo de conseguir algo.

Então Educação é sim um investimento e não um gasto. Se você investir em um livro e absorver o conteúdo do mesmo, significa que você investiu na sua educação e obteve o retorno desejado. Lembrando que a única maneira de subir de degrau na pirâmide é através do conhecimento, seja ele prático ou teórico. No entanto a Educação em situações extremas de pobreza é um investimento (quando se trata de dinheiro) dispensável. Pois é melhor comprar comida para a minha família do que usar esse dinheiro para livros e passar fome. No entanto, todos nós temos sempre a disponibilidade de um mesmo recurso: O tempo. Enquanto estamos vivos temos o tempo, que se bem usado nos fará crescer. Quando digo crescer digo no sentido espiritual e profissional. Em vista da afirmação de que todos temos o mesmo recurso, uma nova perspectiva se abre e o mundo começa a parecer um lugar um pouco mais justo. 

Concluo que não há desculpa para não estudar. Temos biblioteca públicas (que eu amo) e a internet. Qualquer pessoa com um computador ou celular pode ter acesso a milhões de livros, vídeos e jogos educacionais. Portanto acredito que investir dinheiro em Educação é um investimento e não um gasto.

Sinto que não abordei muito bem a questão e que poderia ter mergulhado mais fundo nesse assunto. Vou pensar um pouco mais sobre isso e futuramente talvez eu altere esse post.

Obrigado por ler.

 

Sobre a futilidade

Antes de falarmos sobre o tema em si, vamos primeiro definir o que é a futilidade. Segundo o dicionário Houaiss futilidade é: “Aquilo que não tem importância ou mérito; inútil, superficial; que ou o que tem aspecto enganador, não inspira confiança, não tem constância; frívolo”.Futilidade vem do”futìlis”que significa: “que deixa escapar o que contém, indiscreto, sem autoridade, leviano, frívolo, fútil”.

Pois bem, feita essa pequena introdução agora é hora de mergulharmos no assunto em si. O comportamento fútil, na minha humilde visão, é consequência de um desejo de querer impressionar os outros com coisas sem importância. Geralmente essas coisas são: Um comportamento frívolo e infantil; ou aquisição de bens materiais (ou serviços) que visam suprir necessidades emocionais básicas de alguém, como a necessidade de amor, por exemplo.

Obviamente um comportamento fútil não leva a lugar algum, pois ele é insuficiente e sem substância. Ele é um comportamento alardeador mas que falha em suprir as necessidades emocionais, seja de si mesmo ou de outrem. Talvez a futilidade seja o problema dos pais que dão vários presentes para os seus filhos mas que nunca dizem-lhes um simples “eu te amo”. Esse esteriótipo do filho rico mas não amado é bem conhecido de todos, no entanto é importante que nós enxerguemos mais longe e percebamos que isso ocorre não apenas em famílias ricas, mas também em famílias pobres.

Na realidade a futilidade pode ocorrer em toda situação onde há alguém com os meios e a intenção de comprar a felicidade ou o prazer. Quando não há dinheiro envolvido geralmente a futilidade apresenta-se no comportamento, quando alguém tenta impressionar alguém com gestos e palavras tolas. Nesse caso não há a intenção de comprar a felicidade, mas, antes, de conquistar o amor daquela pessoa. Geralmente pessoas fúteis no amor não se envolvem com a pessoa que as ama, pois o que elas gostam é de conquistar várias pessoas, mas não gostam de se envolver com elas.

Mas voltando a questão à questão do dinheiro vemos que o dinheiro dá essa falsa noção de felicidade, ou de que com ele a felicidade será garantida. De modo que o rico que gasta muito, gasta por uma necessidade de sentir-se feliz. Porém a felicidade não custa muito, pelo menos pra mim, de modo que (e isso é apenas a minha opinião) não vejo sentido em dedicar preciosas quantidades do meu tempo apenas para ficar rico e impressionar alguém.

Mas então, o que não é futilidade?

O antônimo de fútil é: “importante, sério”. As palavras falam por si mesmas. Não ser fútil é dedicar-se às coisas importantes da vida. É procurar a verdade e a substancia das coisas, e viver a vida baseando-se nelas. Mas encaremos os fatos: A sociedade é fútil. As propagandas são fúteis. A propaganda diz, subliminarmente, que tal terno de marca fará você parecer com aquela estrela de cinema e você consequentemente será amado (é o que todos queremos no fundo) por isso. Mas você pode fazer-se amar pelas pessoas próximas a você (as pessoas importantes) sem que você precise de um terno de marca pra isso. É possível ser amado pelo o que você é e não pelo o que você parece. Não ser fútil é investir em nossa personalidade, em nosso modo de agir, é corrigirmos o que consideramos ruim em nós. Mas isso é trabalhoso. Portanto, por futilidade (temos os meios e o desejo) compramos uma roupa de marca, um carro e pronto. Acreditamos assim termos resolvido o problema. Acreditamos que desse modo vamos enganar ao outro. E de fato, muitos são enganados pela aparência. Mas quando o engano ser torna gritante percebe-se o erro cometido a tendência é que a pessoa que aproximou-se de você pela aparência afastar-se-á de você pelo o que você é.

Uma vida cheia de significado é uma vida cheia de substância. É uma vida onde o essencial é tratado como essencial e o fútil é tratado como fútil. É onde a verdade possui um papel de destaque e a ilusão é dispensável. Uma vida significativa é uma vida que está sendo vívida na sua forma mais pura possível. É a conexão entre o indivíduo e o mundo que o cerca. É uma conexão real e não aparente. A aparência não existe em uma vida com significado. O que existe em uma vida com significado é o significado da vida. A razão de viver. Razão essa que é mais valiosa do que qualquer riqueza no mundo.

A solidão e suas raízes (opinião)

A solidão é o estado emocional de sentir-se só no mundo.  A palavra solidão vem do latim “solitudo”, que por sua vez significa: solidão, retiro; desamparo e abandono. Ou seja, a solidão não é um sentimento positivo. E aqui é importante deixar uma coisa bem clara: Estar só não é sinônimo de solidão. Na minha visão estar só é apenas isso: estar só. Já a solidão é um sentimento advindo, muitas vezes mas não exclusivamente, de estar só. Sentimento esse que não é positivo e que deve ser combatido (quando uso a palavra deve estou me referindo a mim mesmo, não tenho o direito de dizer como você deve viver). O meu problema com a solidão é que eu não não digo nada sobre ela às pessoas próximas a mim. A solidão, por vezes, me derruba, e me mostra que apesar de eu ser solitário ainda preciso da companhia das pessoas. Não tenho amigos e por isso a companhia a que me refiro é de estar entre as pessoas, como num ônibus por exemplo. Ou então ficar no atendimento no meu trabalho.

Mas de onde será que vem a solidão?

Às vezes especulo sobre isso e penso que a solidão vem de algum lugar. Se esse lugar foi criado por nós então podemos destruí-lo para o nosso próprio bem. Agora, se esse lugar é um lugar inerente à nossa personalidade, então não há muito o que fazer, a não ser administrar os próprios sentimentos. No meu caso específico acredito que muitas das vezes a minha solidão vem do meu desejo por aprovação por parte das pessoas. A solidão é a frustração desse desejo. Também acredito que em uma escala menor a minha solidão vem do meu desejo inato de estar com outras pessoas, porém não acredito que esse desejo seja tão forte em mim. Deste modo, penso que seja necessário avaliar mais a questão do desejo de aprovação dos outros.

O que é o desejo de aprovação?

O desejo de aprovação é justamente o que o seu próprio nome diz: Querer ser aprovado, ou então utilizando um termo mais profundo (mas não menos verdadeiro) é: Querer ser amado. Acredito profundamente que o desejo por aprovação é sinônimo do desejo de ser amado. Seja pela mulher dos seus sonhos ou apenas por alguma mulher estranha do metrô. E para sermos aprovados fazemos muitas coisas, que não faríamos se não tivéssemos esse desejo. Ironicamente esse meu desejo de ser aprovado diminuiu bastante quando me dei conta que a aparência das coisas não importam, mas sim, a sua essência. Essa conclusão, um tanto simples, me deu uma nova perspectiva sobre a vida. Parei de querer ser aprovado pelos outros baseado em aparências e passei a não me preocupar mais com isso, visto que a aparência não diz nada, e a beleza do corpo não implica na beleza da alma. De modo que, visto que sei o que sou (e isso é importante) o mundo ao redor de mim pode me rejeitar quantas vezes ele quiser que a minha paz continuará a existir. Obviamente que ser rejeitado pelo mundo é algo extremamente doloroso (quem nunca sofreu discriminação não sabe), principalmente porque em muito dos casos a rejeição do mundo contra um indivíduo é gratuita, sem razão alguma. A discriminação é cruel porque não dá chance de defesa. Você é julgado como um ser inferior sem que você tenha ao menos a chance de mostrar que você não é. Isso cria primeiro um sentimento de impotência e desespero, mas depois esses sentimentos se transformam em força, frieza e algumas vezes em desprezo e arrogância contra os seres humanos. Mas voltemos ao tema inicial.

Por fim, concluo (sem de fato ter concluído, pois o assunto é vasto) que o sentimento de solidão pode advir tanto de um traço de personalidade inato como de um aprendido ao longo da vida. O primeiro pode ser administrado e o segundo pode ser destruído. A solidão em si é negativa, mas é nos recônditos mais escuros que a busca por uma luz deve fazer-se sentir-se. O que poderia eu (humilde escritor) dizer para você? Procure na solidão algo de positivo. Viver só não pode ser (pelo menos pra mim) sinônimo de solidão e infelicidade. A felicidade, pra mim, é o fim último do ser humano e por ela vale a pena tentar, pelo menos um pouco, ser positivo.

Sobre ser frugal

O estilo de vida frugal sempre me chamou a atenção por duas coisas: a simplicidade desse modo de vida, que consequentemente leva à felicidade; E o desafio de se viver frugalmente.

Frugalidade é a arte de se viver com pouco. Ou seja, a pessoa frugal gasta muito menos do que uma pessoa não frugal. Há uma diferença acentuada no modo de pensar dessas duas pessoas: A frugal acredita que “quanto menos coisas tem-se necessidade mais feliz se é”, ao passo que a pessoa não frugal é da opinião que “consumir é bom porque dá prazer”.

Vemos ai uma diferença marcante nessas duas pessoas nos seus respectivos modos de encarar a vida. Não quero aqui entrar no mérito de dizer se essa ou aquela opinião é a certa, porque nesse assunto não existe certo ou errado. Não ser frugal não é um crime.

Eu particularmente gosto das coisas simples da vida, de modo que sempre me sinto desconfortável em roupas novas ou em ambientes luxuosos. Porém, sempre me sinto à vontade quando estou vestido de forma simples ou quando estou num ônibus, por exemplo.

Mas de onde vem a frugalidade? A frugalidade vem do desejo de simplicidade no modo viver. E de onde vem o desejo de simplicidade? Acredito que vem daquela parte inata do nosso ser, a qual não pode ser alterada por nada. Ou seja, não há escapatória. No entanto, acredito ser possível o desenvolvimento da frugalidade através da educação, seja ela infância, na adolescência ou na fase adulta.

E quais são as vantagens de ser frugal?

A principal vantagem, dentre as várias, é de conseguir viver uma vida pacífica (no sentido de paz) sem muitos altos e baixos, mas apenas de uma constância firme, calma e simples. Outra vantagem a ser destacada é que viver uma vida frugal nos ensina a desenvolvermos uma força muito grande, e por que? Porque o mundo, de um modo geral, é voltado para o consumismo. O consumismo é propagado em campanhas publicitárias como sinônimo de felicidade e status social. Portanto, ser frugal vai contra todo esse marketing e consequentemente também vai contra esse comportamento consumista da maioria das pessoas. Por essa razão é fácil supor-se que uma pessoa frugal sentir-se-á, provavelmente, um peixe fora d’água por ter esse comportamento frugal em um mundo consumista. E daí vem a força em ser frugal, pois é necessário muita coragem e determinação para seguir na contramão do mundo sem esmorecer ou sentir-se mal por não ser valorizado por um comportamento que, por ir contra a sociedade, nunca será devidamente valorizado. E pra manter essa atitude é necessário uma força resignada. O ser frugal é um ser a parte na sociedade. Ser frugal é quase como um movimento contra-cultural. É perseguir uma filosofia de vida que não prega nada mais do que a simplicidade como caminho para a felicidade.

É por isso que tento ser frugal, pois acredito que precisamos mergulhar mais fundo e mais longe, precisamos parar de nos contentarmos com a superficialidade só porque todo mundo diz que ela é legal. Cada um é livre para criar o seu próprio mundo, o seu próprio modo de ser. E é isso que ser frugal tem me ensinado.

Opinião sobre tatuagem

Quero dar a minha opinião sobre um assunto um tanto relevante: A tatuagem. Há um certo preconceito na sociedade com relação a esse tipo de arte corporal. É muitas vezes um preconceito velado, mas percebível. Acredito que isso esteja diminuindo, mas o preconceito ainda é grande.

Mas o que é a tatuagem? Tatuagem é arte de pintar a pele de forma indelével. O problema da tatuagem é que ela tem um histórico ruim. Se hoje ela é vista como arte, no passado ela era vista como pertencente às pessoas de má índole. E isso continua de certa forma até hoje. O conceito da tatuagem como arte se mistura com o histórico ruim da mesma.

E qual é a minha opinião sobre a tatuagem?

Na minha opinião a tatuagem é apenas um desenho e não deve ser levada a sério. É só aparência. Há pessoas com tatuagem que são ótimos seres humanos e há pessoas sem nenhuma tatuagem que são repulsivas no seu modo de agir. A tatuagem pra mim é só um desenho e tento vê-la como tal. Agora vem uma afirmação importante: Acredito que a tatuagem seja só um desenho, no entanto tenho o direito de considerá-la feia, sem com isso ser preconceituoso. Não gostar de algo não me torna preconceituoso em relação a esse algo.

E qual atitude manter quando você for discriminado por causa da sua tatuagem?

Eu tenho uma tatuagem. E quando fiz a minha, eu sabia do risco de ser discriminado, mas como queria muito fazer a tatuagem, acabei por submeter-me a esse risco. Quem se propõe a fazer uma tatuagem tem que ter muita confiança em si mesmo, pois o risco de discriminação é conhecido de todos. Se você for discriminado é essencial que você não se deixe abalar muito por isso. Não mergulhe na depressão por causa da opinião alheia. Porque quando você se permite ficar deprimido por causa da opinião dos outros você está automaticamente assumindo que eles estavam certos na opinião deles sobre você. Veja um exemplo: Se alguém diz que eu sou feio, automaticamente abrem-se dois caminhos na minha mente: O primeiro é o caminho da tristeza por causa de tal opinião. E o segundo é o caminho que diz que eu sou o que eu acredito e não o que os outros dizem. Muitos de nós escolhem, sem pensar, o primeiro caminho acreditando ser ele o único. Mas não é. Da mesma forma que os outros têm a liberdade de me considerar feio, eu também tenho a liberdade de me considerar belo.

Então a mensagem final sobre a tatuagem é: Faça se você realmente quer. Tenha consciência do preconceito velado, mas notável. E tenha sempre auto-confiança. Se você gosta da sua tatuagem não se abale quando os outros disserem que ela é feia. Porque se você se abalar você estará apenas endossando o discurso deles.

Espero que a mensagem tenha sido positiva e reflexiva.

🙂

Opinião sobre a percepção do belo

Muitas pessoas falam que a beleza é subjetiva, ou seja uma questão de ponto de vista. No entanto, muitas pessoas são inseguras em relação à própria beleza. Mas se a beleza é uma questão de ponto de vista ou opinião, por que então não termos uma boa opinião de nós mesmos? O que vou tentar explicar aqui é como chegamos a esse estado de insegurança com relação à nossa aparência.

Se você está inseguro com a sua aparência, isso provavelmente significa que você é, mais ou menos, inseguro. Pois se já foi dito acima que a beleza é uma questão de opinião, por que então você não tem uma boa opinião de si mesmo? Nada o impede que assim o seja, e no entanto isso não acontece em muitos casos.

Acredito que nós seres humanos temos a característica de considerar os problemas secundários como problemas primários. Por exemplo: Você crê que apenas sendo rico você  será feliz, pois o rico tem facilidade em prover comida, moradia e educação com facilidade. E baseado nessa afirmação você começa condenar-se à infelicidade, pois você não é rico e tem sempre medo de não poder dar de comer à sua família. Ou seja, você começa a afirmar que a riqueza é o único caminho para a sua felicidade. Mas a riqueza nesse exemplo é o problema secundário. O problema primário é: O medo. Pois, veja bem, se você não tivesse medo de não poder prover alimentação à sua família o desejo de ficar rico não emergiria de dentro de você (não estou criticando quem ficar rico por essa razão, mas apenas pergunto: “Não seria melhor querer ficar rico baseado em um sentimento positivo ao invés do medo?”). Muitas da nossas decisões sãos baseadas no medo e não no amor ou no prazer. E nós, na nossa ignorância tomamos os problemas secundários pelos primários. Há ai um erro de foco tremendo.

Mas em que isso tem a ver com a beleza? Simples, a beleza é o problema secundário, e o que causa a sua preocupação com a sua aparência é um problema primário: a insegurança. Se você se livrar da insegurança que você tem ai dentro, você se preocupará menos com a sua aparência e terá mais confiança. Enquanto a insegurança mental não for resolvida você continuará nesse ciclo eterno de preocupação com a beleza. Hoje são algumas espinhas, amanhã é uma ruga,  depois de amanhã é uma gordurinha a mais e por ai vai. E a insegurança e o medo de ser julgado pelos outros vão tomando um papel central na cena. Não estou dizendo que você não deva se cuidar, não me entenda mal, mas peço que você se pergunte: “Eu conseguiria ser feliz se eu não pudesse me livrar dessa gordurinha que me incomoda?”

É importante se questionar coisas desse tipo, porque é questionando que conseguimos abrir um caminho nessa mata fechada e chegar ao cerne da questão. Há também a questão da mídia, que valoriza a beleza física (segundo os padrões da sociedade, o qual já vimos não impede que tenhamos a nossa própria opinião sobre o que é belo ou não), onde fica evidente um objetivo por parte dela de criar um tipo de perfeição estética. Nas mulheres isso é mais evidente, mas também com os homens isso ocorre. Vivemos em uma sociedade onde o “jovem” é o valorizado, e o “velho” é considerado descartável, como se fosse um produto. A aparência é considerada tudo, quando na realidade ela poderia desempenhar um papel muito menor nas nossas vidas. Poderíamos valorizar mais as qualidades de uma pessoa do que a sua aparência (e digo isso com uma convicção nada romântica). Mas não é assim que a sociedade funciona. Porém, eu, como ser humano livre para fazer decisões, escolhi não me envolver nesse jogo e considerar-me belo do jeito que sou. E não vou permitir que a sociedade me jogue nesse ciclo vicioso de insegurança, pois, como já disse no início, o belo é uma questão de ponto de vista.

O que quis trazer aqui hoje com essa reflexão (talvez um pouco enevoada) foi um novo olhar sobre o por quê de sentirmos insegurança com a nossa aparência e como podemos superar isso, além de falar um pouco sobre a nossa beleza interior.