Sobre ir ao cinema

Tenho uma nostalgia com o cinema. Sempre me imagino em um cinema decrépito e vazio onde eu assisto um filme qualquer, enquanto o sono tentar me derrubar. Mas o fato é que tenho preguiça de ir ao cinema. Não há cinema na cidade onde moro. Desse modo, tenho que me deslocar até a cidade vizinha, de ônibus, então caminhar até o cinema (que às vezes não é tão próximo do transporte público), pagar o ingresso para finalmente poder assistir o filme. É quase uma Odisséia. De modo que prefiro em casa e assistir algum filme pelo meu celular ou no computador.

Mas já foi um frequentador de cinema.

Eu e a minha ex-namorada íamos bastante ao cinema (na minha opinião, não da dela, eu acho) e era legal. Assistir a um filme no cinema é bacana. O que não é bacana é pegar um ônibus e metrô e gastar uma hora e meia para chegar no cinema. E o cinema fica dentro do shopping. Putz! Ai fudeu de vez! Eu tinha que ir até o último piso, enquanto assistia às pessoas ao meu redor comprando, exibindo a sua vaidade e futilidade, enquanto queriam mostrar para o mundo ao redor delas o quantos elas eram especias, belas e fortes e todo essa blábláblá. Era emocionalmente torturante. Dava uma vontade louca de sair espancando todo mundo, e dizer-lhes face a face: “Você não vê o seu ridículo?!”Mas não. Nunca fiz nada disso. Apenas sentava com a minha ex em um banco qualquer do shopping e lá ficava, enquanto o filme não começava, ruminando com um humor pálido sobre a insensatez do ambiente ao meu redor. Me pergunta o que eu fazia lá . Mas então o filme começava e eu me sentia bem. Via a minha ex do meu lado. Ela parecia em paz. E isso me enternecia. Acho que por isso que gostava dela. Ela era o meu cinema, a minha obra de arte. Admirá-la era belo. Acho que não gostava tanto do cinema como gostava de observá-la. O cinema era só o pretexto. Era ela que completava o espetáculo. Sem ela o filme seria só um filme, como é agora. Talvez seja por isso que não vou mais ao cinema. Não esperava essa conclusão, no entanto surpresas ocorrem quando se escreve. Verdades latentes vêm à tona e nos deixam espantados e clarificados. Termino, por fim, esse post, dizendo a você:

Namore!

Vá ao cinema!

Admire a sua namorada!

Odeie um pouco o mundo!

E escreva tudo em um blog!

 

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